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PLUGUE, UM DESVIO IMAGINATIVO – por Nora Prado


O espetáculo Plugue, um desvio imaginativo é o primeiro espetáculo infantil encenado pelo Coletivo Errática e dirigido por Jezebel De Carli. Com dramaturgia de Francisco Gick, o espetáculo ganhou o financiamento do FUMPROARTE – Porto Alegre Amanhã, e está em sua segunda temporada na Sala de Música do Multi Palco do Theatro São Pedro.

Com uma história não linear, a peça começa com um detetive, que alude ao lendário Sherlock Holmes, que investiga um estranho fio azul que desemboca na sala de espetáculo composta por dois ambientes. Uma caixa de tecido sintético branco, dentro da qual transcorre a ação, e a maioria das crianças sentam sozinhas ou acompanhadas dos pais e o resto do público senta do lado de fora, assistindo através do tecido vazado. O detetive questiona aos operários que trabalham na rede: para que serve o fio azul? Mas suas respostas, evasivas, sugerem que o fio serve para conectar todo mundo com todo mundo, numa alusão simbólica aos computadores e a toda rede virtual, sobretudo porque o chão é azul, como nas telas dos computadores, e porque um dos operários, finalmente, pluga os dois fios estabelecendo a conexão para a viagem. Curiosamente essa percepção não é levada em consideração e a trupe segue por outros caminhos, apresentando diferentes tipos que se relacionam em diversas cenas, sem relação direta uns com outros. A cena do homem que vai ao barbeiro para fazer a barba e ficar mais bonito para o encontro amoroso é muito divertida. Com a trilha da Ópera Fígaro, os dois barbeiros trapalhões fazem misérias com o pobre homem que sai de lá atordoado, mas contente e com um rosa na boca para encontrar-se com a sua amada. Segue uma pequena cena engraçada de tango, mas não sabemos quem era a mulher nem o que acontece com o homem, pois ele desaparece. E assim, com personagens relâmpagos e cenas estanques o espetáculo vai se desenvolvendo exatamente como a proposta do autor “...Plugue é uma história que começa, assim, esquisita e acaba não terminando, quase como se se perdesse no meio do caminho.”... Uma pena, pois um pouco mais de investimento nos personagens e maior conexão entre eles já seria suficiente para tornar a história mais envolvente e forte. Como, por exemplo, a menina que mora na torre do edifício e que avista a cidade e as pessoas lá de cima. Enfim, tipos que, embora, sejam muito bem defendidos pelos atores, ficam superficiais e descontextualizados na trama. Mas presumo que seja esta mesmo a ideia do autor: apresentar o fluxo imaginativo difuso e sem a lógica usual. Proposta na qual a direção, criativa, de Jezebel De Carli aproveita ao máximo para tirar proveito dessa grande colcha de retalhos. Marcações e coreografias inventivas dão dinamismo a muitas cenas que o elenco, talentoso e versátil, desempenha com propriedade. Os figurinos e adereços estão em unidade visual com a cenografia e funcionam muito bem. A iluminação favorece momentos mágicos e de grande beleza visual. O uso da tecnologia virtual projetada em cena tem o seu ponto alto no encontro do detetive com o seu duplo. As crianças participam com entusiasmo nessa viagem.



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