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TEATRO, INFÂNCIA E ESCOLA por Gabriel Guimard


Publicação realizada para a Fundação para o Desenvolvimento da Edução – Teatro e Dança: Repertórios para a Educação Vol. 02

As Linguagens do Teatro e da Dança e a Sala de Aula

São Paulo/2010

Apresentação

"Os educadores precisam compreender que ajudar as pessoas a se tornarem pessoas é muito mais importante do que ajudá-las a tornarem-se matemáticas, poliglotas ou coisa que o valha." (Carl Rogers)

Desde o princípio de minha carreira de ator e diretor de teatro, iniciada em 1983, as linguagens cênicas com as quais trabalhei colocaram-me em contato com o universo da criança. Porém, somente em 1998 tomei a decisão de aprofundar-me numa pesquisa sobre a estética do teatro para crianças e sobre a produção cultural voltada à infância.Transformou-se em uma opção estética, artística e de vida.

Essa pesquisa foi encaminhada por uma dupla orientação.

Primeiramente, o fato de o teatro ser uma arte polifônica, que dialoga com todas as artes, conduziu-me ao estudo das várias linguagens artísticas que com ele estão relacionadas, como a música, a dança, a literatura, as artes visuais, as artes circenses, a narração de histórias etc.

Mas isso não era suficiente. Era preciso conhecer cada vez mais o universo infantil no contexto da produção cultural, com o auxílio de saberes, como a psicologia infantil, a sociologia da infância, a filosofia para crianças, e de outras áreas do conhecimento (Cultura deve ser aqui entendida de um ponto de vista contemporâneo, como o modo de vida e as relações estabelecidas entre os indivíduos de um certo grupo ou comunidade, e o que este coletivo produz através dessas relações).

Ao mergulhar no universo da produção cultural voltada para a infância, deparei-me com muitos preconceitos, pois a maioria dos trabalhos artísticos com preocupações ligadas à infância e à criança não são considerados Arte, na maioria das vezes são tomados como mero entretenimento, uma arte menor, um veículo para transmitir mensagens didáticas. Apesar de todas as dificuldades, isso me instigou e provocou um desejo especial de participar desse mundo.

A reflexão crítica sobre o teatro realizado para e por crianças, necessária para a realização de um teatro infantil com qualidade, seja no teatro como na escola, exige que se inicie por uma contextualização da infância, da cultura e do teatro.

O exercício de lidarmos com crianças sob o ponto de vista educacional e artístico, e/ou de estudarmos a infância, é uma tarefa complexa e requer alguns cuidados especiais, pois estamos lidando com indivíduos em formação. É necessário sabermos qual é o teatro, a cultura, que nós imaginamos e queremos para nossos filhos e educandos. Que tipo de relação queremos construir com eles? Qual tipo de infância desejamos que eles tenham?

Por isso a importância de fazermos um vôo panorâmico sobre outras questões correlacionadas com o teatro infantil, uma vez que todos os saberes relacionados com os universos da cultura e infância se comunicam e é necessário olhar o mesmo objeto de estudo sob vários pontos de vista.

A construção da infância

"Lutei para escapar da infância o mais cedo possível. E assim que consegui, voltei correndo pra ela." (Orson Welles)

A terminologia da palavra infância vem do latim in-fans, que significa “sem linguagem”. Segundo a professora Maria Carolina Bovério Galzerani, do Departamento de Metodologia de Ensino, da Universidade de Campinas-UNICAMP, isto significa dizer que a criança, era vista como um indivíduo sem linguagem e pensamentos articulados, destituído de conhecimento, e racionalidade. A criança era considerada, sob este aspecto, um recipiente vazio a ser preenchido pelos conteúdos determinados pelo mundo adulto, um indivíduo a ser moralizado e educado.

Apesar de a visão que considera a criança um ser sem linguagem e vazio de conteúdos ser extremamente retrógrada, muitos resquícios dessa concepção ainda permanecem vigentes nos corações e mentes de muitos professores, embora de forma disfarçada. A mudança dessa postura requer formação mas, acima de tudo, uma nova atitude, um desejo de progredir e ir além desses pré-conceitos. Tudo que é dito, pensado, criado por crianças ainda é considerado algo menor, e não só a produção intelectual e artística da criança.

Os conceitos e estudos acerca da infância são dinâmicos, sendo construídos e moldados segundo os diferentes processos históricos, econômicos e culturais de uma sociedade. Para os gregos, a infância era o grande momento propício para o aprendizado. Na Idade Média, a distinção entre o mundo do adulto e o da criança era tênue, muitas vezes freqüentavam os mesmos espaços de convívio, pois a criança era considerada um “adulto em miniatura”. A invisibilidade da infância e da criança vai seguir até o Iluminismo, quando surge uma preocupação com a criança e sua formação. Porém, mesmo no Iluminismo, a criança é vista ainda como um pequeno adulto e a infância é uma fase efêmera, passageira e transitória que precisa ser apressada. No início da Revolução Industrial, do pré-capitalismo, a criança e sua educação – o desenvolvimento da linguagem e o amadurecimento intelectual – são vistas sob a ótica das exigências das novas atividades produtivas.

Na primeira metade do século XX, muitos educadores e pensadores contribuíram para posicionar a criança e o sentido de infância num patamar mais elevado, estabelecendo a importância da criança como um agente social e histórico. Podemos citar alguns nomes que ainda hoje têm influenciado nossos pesquisadores e educadores: Lev Vygotsky (1896-1934); Walter Benjamin (1895-1942) D. W. Winnicott (1896-1971) Rudolf Steiner (1861-1925) e Maria Montessori (1870-1952) etc. Jean Piaget (1896-1980) e Paulo Freire (1921-1997) são os dois grandes nomes que deixaram uma obra extensa e um legado intelectual de uma importância sem igual.

Historicamente, a sociedade instituiu uma falsa idéia de que a criança é um ser incapaz (de), envolvendo-a numa redoma de vidro. Pensar dessa maneira é criar uma infância e uma criança idealizadas, que não condizem com o mundo contemporâneo e suas reais necessidades.

Nada é igual a 30, 20, 10 anos atrás. O mundo muda com uma rapidez atroz, “engolindo” aqueles que não conseguem decifrá-lo, qual a grande Esfinge que pergunta a Édipo: Decifra-me ou devoro-te!

O fato é que as crianças sempre foram seres simples e complexos, como todo ser humano. Mas, a disseminação das novas tecnologias da informação, o novo padrão de organização da família, que inclui a falta de tempo dos pais, a crise da escola e da sociedade, deram nova matiz a essa complexidade. E por que as crianças deveriam ser menos complexas que os adultos? Por que têm menos idade? Menos informações? Menos experiência? Por que, de uma maneira geral, ainda são considerados como indivíduos sem linguagem? De qual linguagem estamos falando? Da verbal e intelectual? Mas esta é a linguagem mais importante do ser humano? Por quê? Quem determinou isso?

É fundamental para o apuro técnico e estético, no caso do ator, e para o aperfeiçoamento da prática de ensino, no caso do professor, que sejam consideradas as diversas dimensões da vida das crianças: suas relações com a televisão, e com as novas tecnologias da informação, os diferentes meio-ambientes (rural ou urbano) em que vivem, as maneiras como se relacionam com seus corpos, a construção do seu imaginário e do universo lúdico através do brincar, o consumismo infantil galopante e estrangulador e tantos outros elementos de igual importância, imbricados no contexto atual da vida cotidiana. Além de uma visão multidisciplinar sobre o assunto, que muito poderá auxiliar o artista, o educador, os pais e os cuidadores, não devemos esquecer-nos de que o mais importante ainda é o cuidar com amor, paciência e dedicação, e saber escutar a criança. A grande revolução da educação está nisso! Como disse o educador Rubem Alves (1933) “Há escolas que são gaiolas, há escolas que são asas”.

Ainda sobre o conceito de criança, a pedagoga da Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais, Cynthia Gontijo diz o seguinte:

“As crianças são sujeitos que organizam e produzem formas lúdicas de entendimento em relação ao mundo, procurando entendê-lo e transformá-lo. Desde os primeiros meses de vida a criança brinca e, logo começa a desenvolver, num processo contínuo e cada vez mais complexo, a aprendizagem de habilidades motoras, cognitivas, afetivas e sociais, tendo a linguagem como sua principal dimensão.”

Conseguimos dialogar pouco com as crianças. Não as escutamos! Seja porque não sabemos fazer isso, ou porque temos uma visão distorcida da criança, seja porque não fomos educados emocional e intelectualmente para vivenciar esta troca, ou ainda porque não temos tempo para tal, não temos paciência ou tudo isso junto. Por exemplo, quando falamos com elas, não lembramos de nos abaixar e conversar na mesma altura delas. Você já se imaginou conversando com “seres” com o dobro de sua altura?

Aquele que faz teatro para crianças ou com crianças precisa necessariamente enveredar por estas questões.

A Cultura é Mãe de todos...

"Tão importante quanto o que se ensina e se aprende é como se ensina e como se aprende." (César Coll)

Uma definição unilateral de cultura tornou-se particularmente complexa hoje em dia porque ela pode ser estudada sob vários pontos de vista e poderíamos escolher várias áreas do conhecimento para defini-la: sociologia, filosofia, antropologia etc. Apesar da complexidade do assunto, podemos sugerir algumas definições.

Cultura é o patrimônio material e imaterial de um povo -- entendendo o termo imaterial não só como a produção artística (teatro, dança, literatura, artes visuais, circo etc.), mas também como somatória de crenças, comportamentos, valores e regras morais que permeiam e identificam uma comunidade ou um agrupamento de pessoas. A cultura é a maneira de ser de um povo.

O educador Paulo Freire já dizia que cultura é tudo que não é natureza, tudo que o homem produz, seja do ponto de vista material ou imaterial, é cultura[1].

Para que possamos pensar e produzir um teatro infantil de qualidade para e com crianças é fundamental ter em mente essa premissa básica: todos têm, inclusive as crianças, uma determinada cultura, hábitos e comportamentos, uma maneira de lidar com o seu meio ambiente, de se relacionar com sua família, com seus amigos e com a escola. Assim deveria pensar o ator quando produz teatro para crianças, ou o educador na sua relação cotidiana com os alunos e quando realiza algum trabalho teatral com as crianças na escola: levar em conta sua vivência, seus saberes, os conteúdos que lhe interessam, e saber escutá-las!

Teatro: uma arte de equipe e de escuta

“Sou hoje um caçador de achadouros da infância. Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos.” (Manoel de Barros)

A palavra "teatro" deriva dos verbos gregos "ver”, “enxergar" (theastai). Teatro quer dizer lugar onde se vai para ver (theátron). Esse “ver” do teatro provém da raiz thea, um verbo grego que se traduziria mais corretamente para o português, segundo os estudiosos, por contemplação.

O teatro é uma atividade de equipe.

O teatro é uma arte cênica, e aquele que está em cena, o ator, está “ao vivo”, de corpo presente, diferentemente do ator na TV ou no cinema. O teatro é uma arte do presente, do agora, do momento criado entre o ator e o espectador. O teatro gravado em vídeo já não é mais teatro, é outra coisa.

O teatro é um ofício, uma profissão, e como tal, o ator, além do talento, tem que se equipar de saberes para comunicar da melhor maneira aquilo que se pretende com o espetáculo. Isso demanda especialização, aprofundamento, estudo, e tempo de dedicação.

No teatro, é preciso saber escutar o outro. É uma arte que exercita a escuta do outro e de si próprio.

Assim como outras linguagens artísticas, o teatro não é terapia, embora muitas vezes essas linguagens possam ser propostas como atividades terapêuticas e integradoras, que aliam prazer, disciplina e processos de auto-descoberta.

O teatro exercita e combina as inteligências múltiplas inerentes ao ser humano, e por ser uma arte polifônica, ele integra e é capaz de dialogar com todas as outras manifestações artísticas.

O teatro inspira, motiva, emociona, alegra, auxilia no conhecimento de nós mesmos e do outro, aguça nosso senso crítico, afaga e conforta nos momentos de solidão, desespero, tédio e dor.

Tudo o que foi dito vale não só para o teatro realizado para adultos, como também para crianças e adolescentes.

Estas são algumas noções gerais que devem orientar aqueles que desejam trabalhar com teatro amador ou profissional, ou ainda aqueles que desejam fazê-lo com crianças ou adolescentes na escola.

O teatro tem uma história longa, porém o fazer teatral começa a ser sistematizado e classificado somente no final do século XIX. Como veremos a seguir, a história e o processo de sistematização do teatro para crianças é ainda mais recente no Brasil; tem pouco mais de 60 anos.

Um vôo pelo teatro realizado para crianças no Brasil

"Ao brincar com a criança, o adulto está brincando consigo mesmo." (Carlos Drummond de Andrade)

O teatro para crianças – tal como o conhecemos hoje, isto é, um teatro realizado por adultos, visando a um público infantil – é bastante recente. O espetáculo O casaco encantado é um marco do teatro para crianças no Brasil. Em 1948, com a estréia dessa peça, Lucia Benedetti (1914-1998) lançou as bases da dramaturgia infantil brasileira. A autora, que também escreveu Simbita e o dragão[2], queria que os espetáculos para esse público alcançassem a mesma qualidade cênica e literária das apresentações voltadas para adultos.

Pela primeira vez, a companhia Os Artistas Unidos[3], da atriz e diretora Henriette Morineau (1908-1990) e formada por atores, diretor, autor e produtor profissionais, se reunia para realizar um espetáculo teatral voltado para o público infantil. E o fizeram, seguindo o exemplo de uma companhia profissional vinda da Áustria, que apresentava em seu repertório um espetáculo para crianças.

Antes de O casaco encantado, Valdemar de Oliveira (1900-1977), em 1939, e Paschoal Carlos Magno (1906-1980) em 1944, tinham tentado propor algo semelhante ao público carioca, porém estas tentativas não tiveram êxito comercial, nem a repercussão esperada entre a classe artística. Até então não existia o desenvolvimento de uma dramaturgia especialmente voltada para as crianças.

O casaco encantado foi escrito, dirigido e representado por adultos, mas sua temática, estrutura dramática, linguagem e estilo de representação foram pensados para o público infantil. Eis a grande inovação.

Até 1948, o teatro infantil consistia de um grupo de crianças, normalmente organizado pela escola, que representava para adultos. Não existiam a criança como público e o teatro profissional voltado para ela. Não havia sido pensada até então no Brasil numa dramaturgia voltada para crianças, numa linguagem específica do universo infantil.

Logo depois da estréia de O casaco encantado, em 1948, foram fundadas companhias de teatro infantil formadas por atores, diretores, autores e produtores profissionais em várias partes do Brasil. Vale citar: Pernambuco de Oliveira (1922-1983) funda o Teatro da Carochinha no Rio de Janeiro, em 1949, a primeira companhia profissional brasileira dedicada exclusivamente ao teatro infantil, chamada Teatro da Carochinha. Inicialmente encenam adaptações da obra de Monteiro Lobato e, em seguida, montam um texto de autoria própria: A Revolta dos Brinquedos, uma das primeiras peças infantis escritas no Brasil, encenada freqüentemente até os dias de hoje. No ano anterior na cidade de São Paulo, a escritora e dramaturga Tatiana Belinky (1919) e seu marido, o psiquiatra e educador Julio Gouveia (1914-1988), fundam a companhia semi-amadora O Teatro Escola de São Paulo – TESP, que foi muito importante para a criação da primeira versão para televisão do Sítio do Pica Pau Amarelo, na extinta TV Tupi. Três anos depois, em 1951, Maria Clara Machado (1921-2001) funda o Teatro Tablado no Rio de Janeiro e o teatro infantil dá a grande largada de sua curta, mas produtiva, trajetória. A partir da fundação do Teatro Tablado, o teatro infantil não seria mais o mesmo, assim como o teatro para adultos, uma vez que além da produção de espetáculos voltados para crianças, o Tablado também era uma escola de formação de atores.

É importante também citar no início dos anos 1970 a criação de duas companhias que muito contribuíram para a profissionalização e qualificação do teatro para crianças. São eles: O Grupo Pasárgada que foi fundado em 1971, com profissionais formados pela Escola de Arte Dramática da Fundação das Artes de São Caetano do Sul, e que recebeu todos os prêmios de crítica ao longo de 20 anos de trabalho, entre eles: Mambembe, Governador do Estado, APETESP, APCA, com espetáculos de relevada importância no panorama cultural brasileiro.

O Teatro Ventoforte foi fundado em 1974, pelo diretor argentino, naturalizado brasileiro, Ilo Krugli (1930), na cidade do Rio de Janeiro e teve como estréia o emblemático espetáculo História de Lenços e Ventos, de Ilo Krugli e que foi dirigido por ele mesmo. É considerado pela crítica um marco do teatro para crianças no Brasil. A maneira de fazer teatro do Ventoforte influenciou várias gerações de artistas e continua sendo uma das grandes referências do teatro para crianças de qualidade no Brasil.

Ao olharmos o pouco mais de 60 anos de história do teatro infantil no Brasil, podemos constatar que muito foi conquistado; mesmo porque a partir do início dos anos 1990, a cidade de São Paulo começou a abrigar várias companhias que têm se dedicado ao desenvolvimento de um teatro de qualidade para crianças; porém ainda há muito a ser realizado em relação ao fomento, difusão e memória deste segmento.

Há uma frase que tem norteado e inspirado vários pesquisadores, artistas e pensadores do teatro para crianças: “o teatro infantil deve ser realizado como o teatro para adultos, porém ainda melhor”. (Stanislavski)

Ela é de um dos maiores mestres do teatro mundial, o russo Constantin Stanislavski (1863-1938). Seu pensamento está para teatro, assim como o legado intelectual de Piaget, ou o de Paulo Freire, estão para a educação. Todos os grupos e companhias que mantêm esse compromisso com as crianças têm buscado esta meta, colocando o teatro infantil no mesmo patamar de importância que se requer para o teatro adulto, sob o ponto de vista estético, social e no que se refere à função de formação do caráter do indivíduo e do cidadão. Esse é um dos paradigmas de uma produção teatral voltada para criança que possa ser considerada uma obra de arte.

Segundo o pesquisador, ator e dramaturgo carioca Jesse Guelphy,

“É impossível se ter uma definição estática e hegemônica do que é obra de arte, porém, segundo Martin Heidegger, filósofo alemão, considerado como um dos mais importantes pensadores do século XX, a essência da obra de arte é a poesia, a essência da poesia é a verdade, que por sua vez tem como essência o significado (a essência do mundo). Uma vez de posse desta definição, não é justo que o teatro infantil exista sem ter este significado, esta verdade, esta poesia. Se o espetáculo teatral instiga e mobiliza, ele pode ser considerado uma ‘obra de arte’.”

Porém a chave da questão não está somente no teatro produzido para crianças, mas no entendimento global do que significa esta criança contemporânea. Ao colocarmos a criança como agente e “sujeito” de direito na sociedade, como protagonista da história, estamos colocando em evidência, dignificando e valorizando, as esferas de produção intelectual, educacional e artística que tenham relação com a criança e a infância, sejam elas produzidas para ou por crianças, ou ainda criações mistas entre adultos e crianças.

É importante termos a dimensão da grandeza do teatro infantil para darmos o devido valor a todos os envolvidos na criação e produção do teatro infantil de qualidade, no teatro que leva em consideração a inteligência da criança e sua sensibilidade.

Temos que dar um basta às diminuições, simplificações e, muitas vezes, desrespeito dirigidos ao teatro realizado para crianças, seja da própria classe artística, como na sociedade e entre professores. Muitos professores referem-se ao teatro realizado para crianças como “teatrinho”. Hoje teremos “teatrinho” na escola. Eu mesmo, diretor de teatro e ator que tem se apresentado em escolas e em vários projetos por elas realizados – tenho me deparado com tal situação. Não que se seja má intenção dos professores, trata-se de um conceito arraigado de que o teatro para crianças é menor. Pode parecer filigrana ater-se a uma questão como esta, mas as palavras, os termos são carregados de intencionalidade, sejam conscientes ou inconscientes, logo, é importante atentarmos, e nos referirmos ao teatro produzido para crianças simplesmente como Teatro.

O teatro com crianças "Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem." (Carlos Drummond de Andrade)

O brincar é a essência da criança, a língua pela qual ela se comunica e cria seus primeiros vínculos. Ela aprende, reconhece o mundo, a si mesma e aos outros por meio da brincadeira – elemento fundamental para um processo de socialização. Momento mágico no qual a criança transcende o cotidiano e mergulha na fonte primeira da criatividade, decisivo para a vida emocional do adulto que ela irá se tornar.

No ato de brincar está a essência do teatro: a espontaneidade, a disponibilidade, a alegria e o prazer; quando a criança brinca ela está de corpo e alma naquela situação, uma inteireza completamente necessária no momento em que o ator está em cena.

Existe a brincadeira sem regras, o brincar pelo brincar, sem objetivo nenhum, onde o ato de deixar-se levar pelo prazer, pela descoberta, pela fantasia e imaginação é o que conta: o momento em que uma criança brinca com suas mãos, ou duas crianças se entregam ao mundo do faz-de-conta, criando personagens e situações imaginárias, por exemplo.

Podemos dizer que o ator é um adulto que não perdeu sua capacidade de brincar, de se assombrar e de criar, ou seja, a prática do teatro para crianças na escola é nada mais que o exercício de perpetuar e aperfeiçoar estas características que são inerentes à criança.

Quando as regras – dentro das brincadeiras – começam a ficar mais definidas e claras, não significa que tudo o que falamos acima, ou seja, o prazer de brincar, o exercício das relações, o mergulho no lúdico, tenha se perdido; significa apenas que as regras nos colocam limites, com os quais teremos de lidar, também, quando adultos. As regras, além do exercício de novas habilidades motoras e cognitivas, permitem aumentar o repertório da imaginação e da própria ação. A questão aqui é conseguir manter um equilíbrio entre regra e prazer, limites e criatividade. Muitas brincadeiras de criança têm também um componente ligado à regra, que é a situação do perder ou ganhar.

De qualquer forma, o brincar – a brincadeira, com ou sem regras, e o jogo – fazem parte de um processo de elaboração interno da criança, que favorece a representação do mundo tangível por intermédio de suas regras, mas, também, do universo intangível, por meio do faz-de-conta, da fantasia e da imaginação.

Tanto o brincar como o teatro podem auxiliar na concentração, na capacidade de memorizar, no desenvolvimento harmônico do sistema motor, na desinibição, e contribuem para o processo de socialização, aguçam o caráter crítico sobre o mundo, exercitam a disciplina, ampliam os horizontes da imaginação e da fantasia.

Os cinco vilões do teatro realizado para crianças

"Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra." (Anísio Teixeira)

Esta parte do texto não pretende ser uma cartilha que deva seguida à risca, mas, simplesmente, apresenta algumas observações e reflexões sobre uma trajetória percorrida nos caminhos do teatro desenvolvido para crianças e com crianças.

  1. Não didatização dos espetáculos

Há uma preocupação excessiva da parte de muitos professores que a produção cultural dirigida às crianças tenha um cunho didático e moralizante. O que a célebre pintura Monalisa[4] de Leonardo da Vinci (1452-1519) pode nos dizer? Trata-se de uma obra reconhecida por seu valor artístico, século após século, na qual a arte pulsa calmamente no misterioso olhar e sorriso da mulher representada pela pintura. Trata-se de uma obra para ser olhada, contemplada, refletida, que ilumina algum quarto obscuro dentro de nós. O que de didático há nesta obra?

Mais próximo ao universo da produção artística voltada para a criança, temos um dos maiores clássicos da literatura universal, Alice no país das maravilhas[5]. A estória deste livro não fala de meio ambiente, folclore, combate à violência ou temas da moda. Parece-me que não, pelo menos explicitamente. O tema central é uma viagem “maluca”, nonsense, “sem pé nem cabeça”, que a personagem Alice faz correndo atrás de um, não menos maluco, coelho. A liberdade de linguagem, o jogo de imagens e palavras, proporcionando um mergulho no lúdico, na fantasia e na imaginação me parecem que sejam a maneira de o livro dialogar também com as crianças. Devemos trabalhar com essa mesma perspectiva no teatro para as crianças; tanto os profissionais que fazem teatro para as crianças, como os professores, ao desenvolverem esse tipo de atividade com seus alunos.

O teatro é jogo, ação, poesia em movimento, ou pelo menos deveria sê-los.

2. A Disneylândia e outros enlatados na escola

Muitas vezes são montados espetáculos para crianças que abordam conteúdos curriculares, datas comemorativas, ou são criados a partir dos desenhos de Walt Disney (1901-1966) e de outros sucessos da televisão e do cinema comercial.

Os meios de comunicação de massa como rádio, cinema, revistas, internet e, sobretudo, a televisão, tendem a ditar normas, padrões de comportamento e estéticas questionáveis. A criança brasileira é uma das que mais vêem televisão no mundo, passando em média 4,5 horas por dia em frente a um aparelho de televisão, sendo bombardeada por toda sorte de programas, desenhos animados e, acima de tudo, comerciais que as induzem cada vez mais ao consumismo. Essa é uma “doença” grave que não tem poupado classes sociais, atinge crianças de classe A a E, pois hoje em dia praticamente todas têm acesso à televisão.

Esta padronização dos hábitos e maneiras de se comportar das crianças vai influenciar diretamente nas suas “preferências culturais”, impostas pelo mercado e pelo marketing cultural. Mais e mais vemos grupos de atores se juntando para fazer espetáculos copiados de fábulas de Walt Disney, alguns realizados de maneira grotesca[6], outros produzidos com generosos orçamentos, mas que deixam a desejar como trabalho artístico. São meros produtos da indústria do entretenimento e que, na maioria das vezes, cobram pequenas fortunas pelos valores de seus ingressos porque sabem que terão público, devido ao forte apelo comercial.

Dentro da instituição escola, cabe ao professor, ao coordenador pedagógico, ou ao responsável pela compra de espetáculos que esta questão seja revista e refletida com muito cuidado. As fábulas como “A bela e a fera”, “A bela adormecida”, “Branca de Neve e os sete anões” fazem parte do patrimônio cultural da humanidade, mas a forma com que alguns, permito-me dizer, pseudo-artistas delas se apoderam é que é questionável.

  1. As datas comemorativas Algumas datas são tradicionalmente comemoradas na escola. O ideal é que os professores não tivessem a obrigação de fazer “umas coisinhas” nestas datas, a não ser que eles tenham verdadeiro desejo de fazê-las.

Alguns grupos de teatro montam “espetáculos” sobre datas comemorativas em quinze dias, e saem vendendo pelas escolas, aproveitando-se do fato de que a comemoração dessas datas é prevista no planejamento das atividades curriculares. O problema das datas comemorativas é a repetição do seu formato ao se realizar uma festa, como a de Páscoa, por exemplo. Por que tem que ser sempre a orelha do coelho recortada em cartolina cor-de-rosa para as meninas e em cartolina azul para os meninos? Os alunos aprendem uma “musiquinha” que tem “coelho” na letra, alguns gestos mecanizados e está pronto o “teatrinho” de Páscoa, para as mães chorarem, vendo seus filhos em cena.

De onde vem a Páscoa? Qual é a etimologia dessa palavra? É só a ressurreição de Jesus? E a relação que há com o equinócio da Primavera? O que está se tentando dizer é que existe uma quantidade de informações que podem, e devem, ser compartilhadas com os alunos, que é riquíssima! Uma quantidade de imagens que podem ser aproveitadas e mescladas de maneira lúdica.

Para qualquer data comemorativa que se pense em realizar um trabalho cênico ou artístico com crianças; faz-se necessário não incorrer em literalidades e obviedades. Pesquise junto com as crianças, mergulhe com elas nos assuntos e, deixe claro a elas, que todo dia é dia do índio, do meio ambiente, do folclore... As datas comemorativas, assim como os aniversários, são marcos, lembranças, podendo ser rememorados.

4. A interatividade em cena

Muitas vezes quando alguma escola procura nossa companhia para uma apresentação, perguntam se os espetáculos são interativos, supondo, talvez, que para manter a atenção das crianças seja necessário que o ator estabeleça diálogos com a platéia, ou que ele chame crianças para o palco, utilizando-as como “sustentáculo” para sua improvisação, como se o próprio ato de ver, assistir e refletir por si só não fosse considerado uma interação com o espetáculo.

Desde quando é um problema a criança ficar sentada apreciando uma obra e, por intermédio de sua imaginação e capacidade lúdica, ir completando, ou transformando a história, como ocorre na leitura de um livro? É possível ter bons espetáculos que trabalhem este processo interativo de maneira consciente, com parcimônia e técnica. Mas, sobretudo, é preciso levar em consideração a inteligência da criança e sua sensibilidade. O que não pode acontecer é considerar a participação ativa no espetáculo uma condição primordial.

5. Gritaria e correria em cena.

Fique atento quando os atores de um espetáculo para o público infantil não param de correr em cena, ou falam muito alto, chegando às vezes à histeria. Tudo isso pode ser subterfúgio, para esconder a incapacidade técnica. Já basta o ruído com que convivemos diariamente, seja no trânsito ou das televisões que ficam ligadas dentro de casa e que nem ao menos estamos vendo.

É importante que a criança aprenda a contemplar, a lidar com o silêncio, com outras dimensões e experiências com as quais ela não está acostumada. Temos a falsa idéia de que criança só gosta de correria e gritaria. Ela naturalmente se expressa também desta forma, mas cabe a nós artistas e educadores ampliar seus horizontes, trazer à tona as centenas de linguagens que uma criança possui. E o silêncio, a contemplação, a introspecção são algumas dessas linguagens.

Dicas para montar um espetáculo com crianças

"As crianças têm uma sensibilidade enorme para perceber que a professora faz exatamente o contrário do que diz." (Paulo Freire)

  • O teatro dentro da escola, realizado por crianças, não visa formar artistas e sim o desenvolvimento de um ser dinâmico e social. Deve ser realizado de maneira prazerosa, mas exige disciplina.

  • O teatro é uma profissão, mas quando é trabalhado no interior da escola ele contribui para a formação do ser humano e do cidadão. O lúdico e o prazer devem estar presentes na orientação de qualquer trabalho teatral realizado para crianças. É através desse prazer que, com o tempo, podemos chegar à disciplina e, conseqüentemente, à formalização e sistematização de cenas e, talvez, de um espetáculo.

  • No início pense em trabalhar pequenas cenas com duração de 5 a 10 minutos, que tenham começo, meio e fim. Utilize as histórias da cultura popular brasileira ou os contos de fada. São excelentes referências, porém, neste momento, esqueça os produtos de Walt Disney.

  • Lembre-se de que o processo de criação de um espetáculo é muito mais importante do que a apresentação em si. Sem dúvida é importante o processo culminar em algo, mas não fique “amarrado” à obrigação de ter que mostrar um “produto” finalizado para ser apresentado aos pais das crianças. Muitas vezes esta obrigação causa estresse e nos leva a uma realização apressada e mal acabada.

  • Se você, professor, quer começar a fazer um trabalho teatral com seus alunos, o primeiro passo, é fomentar o brincar entre eles. Pesquise com eles novas brincadeiras, além daquelas tradicionais como pega-pega, corre-cotia, estátua etc.

  • Envolva ao máximo as crianças em todo o processo de trabalho, desde a escolha de temas, trilha sonora, figurinos, adereços, como na própria confecção dos mesmos.

  • Nem tudo o que se apresenta à criança tem que ter o caráter infantil. Não temos que ter medo de apresentar às crianças obras que não foram realizadas especificamente para esta faixa etária, mas que podem dialogar e criar campos de comunicação entre as crianças. Em algumas linguagens artísticas vemos isso mais claramente, como no caso da música, da dança, das artes visuais. Todo educador tem como espécie de missão alargar as visões de mundo do educando. Por que, em um espetáculo realizado por crianças, não pode ser utilizada música instrumental? Por que não usar música clássica, popular, jazz? É necessário introduzir novidades, contextualizando o novo no universo da criança, transformar as novas informações em histórias, em “objeto lúdico”, para que as crianças compreendam o proposto a partir de seus parâmetros e não através dos parâmetros do adulto. Todo professor é um contador de histórias e um ator em potencial, e este potencial tem que ser exercitado com seu público – as crianças.

  • Um espetáculo não precisa necessariamente ter um texto escrito, ou um texto dramatúrgico.

Existem excelentes textos de teatro voltados para crianças como, por exemplo, os da escritora Maria Clara Machado (1921 - 2001) que escreveu mais de 20 textos, inclusive alguns clássicos como: [7] e [8].

Mas, você pode adaptar um texto de um romance, usar poesias encenadas, parlendas, literatura de cordel e também criar um texto a partir da sugestão e da vivência das crianças, utilizando como ponto de partida o processo de improvisação. Finalmente, um espetáculo pode existir sem texto algum, sem palavras; um espetáculo pode privilegiar as ações e o aspecto corporal, sem necessariamente ser uma pantomima, que é uma técnica teatral específica e que requer habilidade.

  • O essencial do teatro é o ator – com seus recursos corporais e vocais – e o público que lhe assiste.

Um espetáculo teatral é composto de:

  • Dramaturgia: que pode ser escrita ou corporal, como falamos acima.

É necessário construir um roteiro de cenas, como forma de organização dessa dramaturgia. A carpintaria dramatúrgica é um ofício bastante complexo e importante na estrutura de um espetáculo, pois cabe ao dramaturgo a responsabilidade de dar coerência aos personagens.

  • Direção: o diretor é o capitão do navio, é o que dá a direção para onde deve navegar a embarcação. É o olhar de fora. Mesmo que este orientador seja o professor, ele pode sugerir a uma criança que seja seu assistente.

  • O cenário: ele pode existir ou não. Se você for construir algo, lembre-se de fazer algo leve e de fácil transporte.

  • Figurino: são as roupas usadas pelos personagens em cena. Lembre-se de que materiais simples como papel, jornal e tudo aquilo que pode ser reaproveitado como: alumínio, garrafas plásticas, plástico e outros materiais podem ser reciclados e utilizados na composição de figurinos ou na criação de adereços.

  • Objetos de cena: podem existir ou não. Pense também na facilidade de transportá-los e guardá-los.

  • Trilha sonora: pode ser feita em cena pelos próprios atores e/ou gravada em cd. Lembre-se que com crianças você pode construir instrumentos de percussão com sucata e trabalhar sons e músicas para que elas produzam, toquem e cantem em cena.

  • Dentro de uma estrutura profissional temos um preparador de corpo e de voz. Na escola o próprio professor pode fazer isso, utilizando as brincadeiras corporais como forma de aquecimento.

Exercícios para a sala de aula

"O saber ‘entra’ pelos sentidos e não somente pelo intelecto." (Frei Betto)

Há uma bibliografia extensa sobre os jogos teatrais em sala de aula, ou na escola. No final do texto cito alguns títulos de livros sobre os jogos teatrais. A seguir exemplifico alguns jogos:

Para crianças de 1a. à 4a. séries – Ensino Fundamental

Para crianças na faixa etária deste ciclo de escolaridade são fundamentais os exercícios de imitação.

1. Imitar animais com o som. Imitar o movimento de objetos domésticos, como liquidificador. Imitar elementos da natureza: vento, fogo, ar, terra.

2. “Siga o mestre”

Grupos de no máximo quinze alunos.

Descrição: uma criança é o mestre e todas as outras deverão imitar os movimentos que ela fizer. Se o espaço for grande, ela deverá se movimentar pela sala e as crianças seguirão o mestre. Se o espaço for pequeno, as crianças ficarão em círculo.

3. Caretas: fazer caretas, as mais diversas. Como variação, algumas expressões bastante exageradas de tristeza, alegria, zanga, medo, raiva etc.

Crianças de 5a. à 8a. séries – Ensino Fundamental

1. Espelho: é um exercício clássico do teatro que estimula a concentração e a observação, realizado em duplas. As duas crianças devem ficar uma de frente para outra, numa distância de dois metros. É necessário manter mais ou menos a mesma distância. Uma das crianças faz movimentos, caretas, pausadamente, para que o outro na sua frente consiga acompanhar os movimentos e intenções. A segunda criança deve ser como a imagem de espelho da outra. Deve ser feito entre 5 e 10 minutos;depois, proponha uma troca de funções.

2. Formas em grupo: as crianças andarão aleatoriamente pela sala, quando o professor fala o nome de uma forma, que pode ser o nome de uma figura geométrica ou olho, árvore; as crianças imediatamente deverão construir com seus próprios corpos esta forma. As crianças não deverão conduzir as outras para realizarem a forma. Enquanto a forma não estiver pronta o exercício não acaba. É um exercício que requer observação e iniciativa.

3. Exercícios de olhos fechados: as crianças andarão, uma de cada vez, numa diagonal de olhos fechados. Quando o participante chega no outro extremo da diagonal, então a próxima criança começa a andar na diagonal. Existe uma outra criança do lado dela, caso esta se desvie muito do seu trajeto. Pede-se silêncio para o grupo, para que a criança de olhos fechados não se desconcentre. Quem chega de olhos fechados torna-se o acompanhante da próxima criança.

Jovens de 1a. à 3a séries – Ensino Médio

1. Exercício com bola: jovens em círculo (no máximo vinte). Começa com a bola na mão de alguém que a lança delicadamente para qualquer outro participante na roda; ao lançar a bola, ele fala seu nome. O próximo participante ao segurar a bola repete o mesmo procedimento. Uma vez que esteja fixada esta rotina, e que cada um saiba o nome de todos, a próxima etapa é lançar a bola e falar o nome da pessoa para quem está lançando-a. A bola não pode parar na mão das pessoas por mais de três segundos. Depois, pode-se eleger alguns temas para lançar a bola, como nome de países. O participante lança a bola, e fala o nome de um país; quem a receber, imediatamente a lança para outro e fala outro nome de país. Na medida do possível, é melhor que os nomes dos países não se repitam.

2. História coletiva: jovens ficam em círculo, (no máximo vinte). Alguém começa contando uma história, porém ele só pode dizer três palavras, por exemplo: “Era uma vez...” O próximo, na roda, deve continuar a história, também com três palavras e assim sucessivamente. É importante que aja rapidez na sequência entre uma pessoa e outra, para não interromper o fluxo de energia e concentração. Pode ser uma história absurda, mas é importante que ela constitua uma narrativa.

3. Sequência de olhos fechados: o exercício é realizado em duplas. Um ficará de olhos abertos e o outro fecha os olhos. Todos de mão dadas, aquele que estiver de olhos abertos conduzirá lentamente o de olhos fechados pela sala. O exercício deverá durar entre 5 e 10 minutos, antes de a pessoa abrir os olhos. Depois quem estava de olhos fechados passará a ser o condutor.

Conclusão

O teatro realizado para crianças e pelas crianças são atividades e conhecimentos específicos que necessitariam, no melhor dos casos, de especialistas na área para ministrarem estes conhecimentos às crianças. Na falta desse especialista cabe ao professor interessado no tema de buscar estas informações e este conhecimento e oferecer aos seus alunos um teatro de qualidade que atente a inteligência e a sensibilidade da criança. É fundamental não desprezar a capacidade de compreensão das crianças e quanto mais o professor elevar o nível deste conhecimento com certeza teremos cidadãos mais críticos e sensíveis, independente das profissões que eles vierem a escolher.

O professor é peça fundamental na formação e na vida de uma criança. Ela passa mais tempo com o professor do que com os próprios pais. O professor é figura balizadora nas futuras e presentes ações e escolhas deste indivíduo em formação. Para que as crianças possam gostar e se apaixonar pelo teatro, o professor também deve ter esta paixão, o exemplo positivo é tudo! É importante que o professor veja espetáculos de teatro infantil e adulto, que ele leve seus alunos ao teatro, discuta com eles a peça e realize trabalhos envolvendo os temas abordados no espetáculo. É de igual importância que as crianças possam vivenciar o teatro dentro da escola, por meio da criação de espetáculos, ou exercícios teatrais, como prefiro chamar.

O teatro assim como todas as artes são formas de conhecimento e vivência de grande importância para a manutenção de uma sociedade mais saudável e tolerante. O professor deve encarar as atividades de teatro dentro da escola não apenas como mero apêndice educacional, mas como o próprio coração da Educação.

Bibliografia Básica:

“E... não diga que a criança errou: ela apenas ainda não aprendeu..." (Nylse Cunha)

ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Editora LCT, 1981.

BENEDETTI, Lúcia. Aspectos do Teatro Infantil. Rio de Janeiro: Serviço Nacional do Teatro, 1969.

CARNEIRO, Dib. Pecinha é a Vovozinha! São Paulo: DBA Dórea Books and Art, 2003.

CAMAROTTI, Marco. A Linguagem no Teatro Infantil. São Paulo: Edições Loyola, 1984.

JACOBY, Sissa (org.). A Criança e a Produção Cultural, do Brinquedo à Literatura. Porto Alegre: Mercado Aberto, 2003 (Vários Autores). JAPIASSU, RICARDO. Metodologia do ensino de teatro. Campinas: Papirus, 2001.

KRAMER, Sonia e LEITE, Maria Isabel (orgs.). Infância e Produção Cultural.Campinas: Papirus, 1998.

LOMARDO, Fernando. O que é Teatro Infantil. São Paulo: Editora Brasiliense, 1994. PILLOTTO, Silvia Sell Duarte (org.). Linguagens da Arte na Infância. Joinville: Editora Univille, 2007 (Vários Autores).

PUPO, Maria Lúcia de Souza B. No Reino da Desigualdade. São Paulo: Editora Perspectiva, 1991.

NOVELLY, Maria C. Jogos teatrais: exercícios para grupos e sala de aula. Campinas: Papirus, 1994.

REVERBEL, Olga. O Teatro na Sala de Aula. Rio de Janeiro: José Olímpio Editora, 1979.

SANDRONI, Dudu. Maturando, aspectos do desenvolvimento do Teatro Infantil no Brasil. Rio de Janeiro: Sindicato Nacional dos Editores de Livros, 1995.

SPOLIN, Viola. Jogos Teatrais: o fichário de Viola Spolin; tradução de Ingrid Dormien Koudela. São Paulo: Perspectiva, 2001.

ZILBERMAN, Regina (org.). A Produção Cultural para Criança. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982. (Vários Autores).

Webgrafia:

Aliança pela Infância – www.aliancapelainfancia.org.br (Acesso em 09/09/2009).

Associação Brasileira pelo Direito de Brincar: www.ipadireitodebrincar.org.br (Acesso em 09/09/2009).

Centro Brasileiro do Teatro para Infância e Juventude – www.cbtij.org.br (Acesso em 09/09/2009).

Centro de Pesquisas do Teatro Infantil/Cepetin – www.cepetin.com.br (Acesso em 09/09/2009).

Instituto Ambar: www.ambar.org.br (Acesso em 09/09/2009).

Portal Cultura Infância – www.culturainfancia.com.br (Acesso em 09/09/2009).

Vertente Cultural – www.vertenteculturalteatroinfantil.blogspot.com (Acesso em 09/09/2009).

[2] BENEDETTI, Lúcia. Simbila e o Dragão. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1950.

[3] A Cia. Os Artistas Unidos foi fundada em 1946, no Rio de Janeiro, por Carlos Brant, e pela atriz francesa radicada no Brasil, Henriette Morineau. O repertório desta companhia mistura peças do teatro de boulevard, peças brasileiras e obras importantes da dramaturgia universal. Em 1948 lançam a autora Lúcia Benedetti, com a montagem do texto infantil O Casaco Encantado.

[4] A Monalisa, ou La Gioconda, como é também conhecida, é uma pintura do artista italiano renascentista Leonardo da Vinci que começou a ser pintada em 1503 e que foi concluída três ou quatro anos mais tarde. É considerada uma das obras de arte mais valiosas da atualidade e está exposta no Museu do Louvre, em Paris.

[5] A obra Alice no País das Maravilhas foi escrita pelo escritor e matemático inglês Lewis Carroll (1832-1898) no ano de 1865, e é considerada hoje um dos mais célebres livros do gênero literário nonsense.

[6] Fui jurado certa vez de um Festival de Teatro Infantil na Paraíba. Cheguei a ver uma versão do espetáculo “A Bela e a fera” na qual todos os diálogos foram tomados do desenho de Walt Disney e sua estética consistia numa reprodução (cenários, objetos de cena, figurino) chula, miserável e mal feita do desenho.

[7] MACHADO, Maria Clara. Pluft, o fantasminha. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2001.

[8] MACHADO, Maria Clara. O rapto das cebolinhas. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2002.



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